
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
SÓ OS LOUCOS CONTAM ESTRELAS

sábado, 4 de janeiro de 2014
AMANDAS
Ela tinha suas esquisitices. Boca nua, lábios crus e palavra gasta. Nunca soube quem gostasse. Embora a moda fosse bolo sem confeitar a pedra esculpida sempre levara mais jeito. E a carcaça sempre cheirou mal ao contrário da carne viva. Ela sempre foi assim. Mas como as temperaturas sobem a cinquenta, os ânimos também avalancam-se entre as ancas de quem te pariu mas hoje nem sabe por onde andas. Amandas. Era uma e súbitas muitas que acotovelavam-se na cútis molenga e desvairada como sempre fora. Mas os planos de celular sempre cobrem todos os serviços e agora não há quem leve susto na conta mas ela leva mesmo assim para que não perca o costume de acostumar-se com algo assim que parece fugidio (por que sempre escrevo esta palavra?) mas na verdade já foi, jogou o chip fora, mudou de número, de operadora e esqueceu completamente de propósito que existia portabilidade. Deve ser porque Amandas sempre odiou tecnologia, pois por causa dela tinha de abandonar seu walkman, desfazer-se de seu carro que já era da família (tinha até apelido) e sacrificar seu cachorro porque estava doente e este mundo não suporta os doentes, gordos, feios, esquisitos, os não- consumistas, os não-felizes do facebook ... Este mundo não suporta gente, a de verdade. Esquisitices à parte, amands ( assim mesmo, minusculizada e abreviada) escreve cartas à mão, não ouve mais o Jorge, parou com a dieta da proteína, ainda teima em telefonar para os amigos no dia do aniversário, lembra de cor o número da mãe, sonha com paninhos de crochê na mesinha de centro (passou a odiar a moda clean) coleciona jornal velho com matéria re-lida e tem medo de dormir sozinha no escuro. Ali-menta-da, ela morre de fome.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
CAIXA

Escrevo pela possibilidade de abrir uma caixa em lugar onde seja terminantemente proibido guardar. Não se guarda papel de presente amassado, embalagem de bombom, fotos antigas... A decoração é sempre clean. Não há espaço para fundos de gaveta nem lembranças de viagem. O escritor mais lido não tem livros em suas estantes. Há arquivos no computador, mas estão quase sempre na mira da perdição. Uma pane no HD e adeus memória, foto, registro e tudo o mais. Mesmo assim, eu abro a caixa. Nem sei direito o que de lá se dá ao direito de sair, mas abro assim mesmo. Quem me acompanha?
sábado, 7 de setembro de 2013
SEXO VERBAL
segunda-feira, 1 de julho de 2013
CORDA
Escolhi andar na corda .
Até que
me equilibrava bem ,
a falta daquela palavra
sempre me
sustentou. Viradas de calcanhar e titubeios
faziam parte . Nunca
reclamei. Mas agora
a tal palavra
que sempre
faltou saiu do silêncio onde sempre
morou e o pé foi além
do falsear . Não
acreditei. Achei que não havia ouvido
direito e pisei fundo ,
firme . Foi então
que eu
caí. E neste espaço entre
a corda e o chão ,
quando o vento
me corre a pele
de leve às vezes ,
às vezes impetuoso ,
aproveito para pensar
se ainda quero corda ,
se não prefiro ponte
de madeira , passarela
de concreto ... Lá
do outro lado
talvez as portas
estivessem todas abertas , quem sabe? O fato
é que ainda
não cheguei ao chão .
Há tempo para
que decidas se colocas ou não a rede lá embaixo . No meio
do caminho me
aparecem balões de gás
hélio , cipós ,
teias de aranha ,
galhos , escadas
de emergência ; mas
a rede , a rede
que me
salvará só tu
podes colocar no lugar .
O ar me
entra boca adentro .
Vejo-te assistindo a cena de um andaime , do outro lado . Teu olhar tranqüilo me anuncia que já preparaste a minha
cama . Encheste a bolha
de sabão que
me en-caminhará de volta
à corda . Velocidade
mais alta ,
olhos ardem e... agarro a teia .
domingo, 16 de junho de 2013
ENTREATOS
Inventei CORAÇÃO ENXUTO

SEU NOME
Descobri a forma e pensei a maneira mais exata de usá-lo, o finíssimo arame
grudado em brasão
prateado . Difícil
saber seu nome , já não nos servimos dele em
tempos de consumo
descartável , e nas indústrias
deve haver algo
mais moderno
e prático . No entanto ,
intriga-me as sinapses. Fitando-lhe o corpo ,
decido que ele
merece nome pomposo .
Guardei-o longe das vistas
de quem
quer que
fosse, o privei de descasar-se pelo suor dos dedos
calejados ou suaves
de uma dama de unhas
feitas , esculpidas em
vermelho , e já
devia mesmo estar
longe das crianças ,
na possibilidade que o engulam. Leve demais ,
flutuaria nas tramas do intestino até a
água final .
Minha avó talvez
o guardasse entre dedais ,
agulhas , ovos
e arcos de madeira .
Eis que
o descubro, losango fino
e flexível , de igual
movimento e ternura ,
mas sem
as carnes tenras que
recebem as águas turvas do amor . Passada a
linha , volta
à gaveta de onde
nunca deveria ter
saído . Enclausurado, o brilho jubiloso não
mais lembrará do que
pode e deve, ser esquecido.
(22/03/2013)
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Festa boa
Antigamente eu gostava de festas muito arrumadas, super produzidas, comida e bebida em abundância, decoração impecável, som profissional, animação, etc. Hoje em dia uma boa festa, pra mim, passa bem longe disso. Comecei a perceber, convivendo com amigos maravilhosos, que festa é muito mais do que um dinheiro bem gasto, é uma desculpa sensacional para reunir aqueles que amamos, ou que são importantes pra nós. Festa boa, pra mim, hoje, é quando os convidados se sentem à vontade para pegar uma bebida no freezer, invadem a cozinha e pegam uma bandeja para ajudar a servir, fazem uma vaquinha para comprar o refri que acabou, chegam mais cedo para ajudar a arrumar, assumem papel de fotógrafo, de animador, se esforçam para enturmar os grupos diferentes, trazem um prato pra reforçar o cardápio e se acotovelam na cozinha numa conversa gostosa. Festa boa termina com um achegar dos mais íntimos depois que o restante foi embora, e sobra amigo pra ajudar a arrumar tudo e depois dormir na sala. Infelizmente, quem tem uma melhor condição financeira não costuma usufruir deste privilégio. Você nunca sabe se o fulano gosta mesmo de você ou veio só para aproveitar a “boca livre”. Meus superamigos fazem festas praticamente sem gastos, somente com a colaboração de quem os ama. E quando alguém ao meu lado reclama, eu tenho orgulho de dizer que estou amando, porque festa boa é assim, falta tudo, menos alegria e muita, muita vontade de ficar junto. Fui! Planejo mais uma festinha a baixo custo, somente para quem me ama...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Silêncio alegre
Antes de usar qualquer palavra eu clamo pela libertação dela mesma, de algum dia ser silêncio alegre, ser causa e vitória das suas pequenas andanças. Eu quero ser mais do que simples mão que consola ou corrige, quero ser a luz que guia tua corrida nua antes do banho gelado. Quero ser mais do que simples direção, do que simples colher que chega à tua boca, quero ser mais do que o olhar que vela, a boca que pede a repetição da reza, as pernas que ensaiam coreografias, a mão que traz a água para limpar o pincel, mais do que a portadora da cédula que compra os cadernos, quero ser parte tua como és minha, ser mais do que só uma boca que alerta do perigo, que regula tuas passadas, teu véu diante das atrocidades, aquela que vai buscar a lua no livro e folheia os canais até encontrar o que te agrade, quero ser mais do que os dedos que puxam a calcinha da gaveta, mais do que simples gesto que oferece a seringa amarga. Quero ser, antes de tudo, o silêncio que fala nas fotografias, a voz emblemática que te diz um segredo no ouvido e sente a benção da sua respiração a cada instante.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Fernando Anitelli Trio - Soprano - Teatro Lauro Gomes
Música que inspirou meu último poema, ACERCA, que está disponível no site do Portal Literal.
domingo, 11 de dezembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
Flora visional
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